Gestão do Conhecimento, Consultorias e Softwares
(por Luciano D. Rabelo)

Os consultores e fornecedores de softwares sempre terão a tendência de entender a Gestão do Conhecimento (KM) como um PROJETO e não como um PROCESSO.
Estarão sempre vendendo a idéia de que a KM é um projeto que pode ser implantado mediante uma adoção de procedimentos e desenvolvimento de um aplicativo baseado em tecnologia de informática, visto que este enfoque alavanca seu próprio negócio e não o negócio do cliente.
Sem descartar ou desvalorizar o auxílio de um saber externo especializado e de uma ferramenta de informática, deve-se ressaltar que esses "inputs" são complementos ao processo de Gestão do Conhecimento e não o processo em si mesmo.
A KM é sobretudo a formação de uma cultura de aprendizado, inovação e colaboração dentro das empresas, acompanhados de uma identificação, valorização e mapeamento dos ativos de capital intelectual.
As ferramentas de tecnologia de informação, como portais e sistemas de "Content Management" são os elos de conexão entre os centros de capital intelectual.
É óbvio que a KM não pode prescindir das ferramentas de tecnologias de informática, sendo a disponibilidade e facilidade de uso dessas ferramentas o fator principal que originou essa técnica e filosofia de gerenciamento. Embora a TI seja um auxilio indispensável, ela não é a KM em si mesma. A TI é necessária, indispensável , porém insuficiente.
Há uma grande incidência de fracassos na aplicação da KM na Europa e nos EUA devido a tendência simplificadora (ou simplista) de reduzir essa metodologia à aplicação de um software, sem se trabalhar os elementos essenciais de uma cultura de aprendizagem, de colaboração e de compartilhamento.
Como instrumental para gerenciamento de processos, a KM é pobre em relação a outras metodologias, como Qualidade Total, Seis Sigma, Balance Scorecard e SAP/R3, que são ferramentas mais poderosas e consistentes.
As empresas que aplicaram a KM com sucesso, vislumbraram nessa metodologia de gestão uma forma de alavancar mudanças mais profundas na direção do aprendizado organizacional, cultura de compartilhamento e inovação, visando criar um diferencial competitivo através da aprendizagem permanente e do monitoramento constante das variáveis internas e externas à organização.

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