As duas vertentes pioneiras da Gestão do Conhecimento. (por Luciano D. Rabelo)

Se quisermos entender com profundidade o complexo tema da Gestão do Conhecimento, temos de fazer uma viagem retrospectiva até suas nascentes e pesquisar seus fundamentos originais e as intenções dos pioneiros do assunto.
Quem fizer essa pesquisa irá verificar que a Gestão do Conhecimento nasce exatamente na mesma época, de duas fontes heterogêneas, paralelas e simultâneas, sem nenhum vínculo ou contato entre si.
Um dos pioneiros (Peter Senge) era um "pedagogo das empresas" uma mente brilhante totalmente voltada para o aprendizado organizacional, através de uma metodologia denominada "A quinta disciplina", que em seu estágio mais avançado deveria convergir para a metanóia (ou mudança de mentalidade).
Exatamente na mesma ocasião, e sem nenhum vínculo com o grupo de Peter Senge, o consultor sueco Karl Sveiby publica a obra "The Know How Company" sobre a Gestão dos ativos intangíveis das organizações, criando a vertente paralela da Gestão do Conhecimento, cuja preocupação central não era o aprendizado organizacional , e sim a mensuração e gestão dos ativos não contabilizados, que, embora não constassem do balanço, eram o fator determinante para o dimensionamento do valor real de uma empresa, bem como das ações dessa empresa.
Em 1986, Peter Senge e Arie de Geus fundaram um grupo no Massachussets Institute of Technology (MIT) para desenvolverem estudos sobre aprendizado organizacional.
As conclusões desses estudos foram consolidadas na obra 'A Quinta Disciplina publicada em 1990, e em meados da mesma década, na segunda obra de Senge, "A Dança Das Mudanças", abordando os 10 maiores desafios das organizações que aprendem.
Em 1991, O parceiro de Sveiby, Tomas Stewart, editor da revista Fortune, publica um artigo de grande repercussão entitulado 'Brainpower" (o poder do cérebro), consagrando o termo 'Capital Intelectual". Thomas Stewart tornou-se patrocinador do grupo de Sveiby e juntamente com outros estudiosos do assunto, promoveram em 1992 em Vancouver no Canadá, o seminário sobre a "Produtividade do Conhecimento".
Em 1994 este grupo promoveu o primeiro evento de Gestão do Conhecimento, entitulado "Primeiro Encontro dos Gestores de Capital Intelectual" com participação de empresas pioneiras no assunto, como Dow Chemical, Du Pont, Hewllet Packard, Hughes Space and Comunications, Hoffman La Roche e Skandia.
Paralelamente, Peter Senge iniciava um ciclo de conferências mundiais sobre sobre aprendizado organizacional, envolvendo as cinco disciplinas: Domínio Pessoal, Modelos Mentais, PCompartilhada, Aprendizado em Equipe e Pensamento Sistêmico, sendo a Metanóia (ou mudança de mentalidade) uma espécie de sexta disciplina, que seria uma síntese ou transcendencia vertical das 5 disciplinas.
Enquanto o grupo de Sveiby preocupava-se com os aspectos mais contabeis e tangíveis de como inventariar e registrar o conhecimento e procurar fórmulas de gestão, avaliação e dimensionamento dos ativos intangíveis, Peter Senge se aprensentava como um novo "guru" das organizações e como uma arauto das novas mudanças.
Peter Senge manifestava a notável capacidade dos "gurus" das organizações de tangenciar o terreno místico sem perder a respeitabilidade e o satus científico de professor do MIT. Na edição revisada e ampliada da "Quinta Disciplina", página 188, Senge afirma textualmente: "O poder da verdade, ver a realidade cada vez mais como ela é, limpar as lentes da percepção, acordar das distorções impostas por nós mesmos - são expressões diferentes de um princípio comum em quase todos os sistemas filosóficos e religiosos do mundo. Os budistas lutam para alcançar o estágio de observação pura, de observação direta da realidade. Os hindus falam em testemunhar, em observar a si mesmos e à sua vida com uma atitude de distanciamento espiritual. O Corão termina com a seguinte frase: Que tragédia para o homem ter de morrer antes de acordar".
Da mesma forma que o Rio Nilo nasce da confluência do Nilo Branco e do Nilo Azul, podemos concluir de nossa pequena viagem retrospectiva, que a Gestão do Conhecimento é hoje um "grande rio" formado pela confluência da obra pioneira de Peter Senge, voltada para o aprendizado organizacional e da pioneira obra de Karl Sveiby, voltada para a gestão dos ativos intangíveis. Obviamente este "rio" recebeu muitos afluentes e contribuições posteriores, mas deve-se reconhecer e dar o devido destaque à obra dos dois grandes pioneiros que iniciaram o movimento da KM em escala mundial.
Luciano D Rabelo

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