Por que 70% dos modelos
de Gestão do Conhecimento fracassam?
(por Luciano D. Rabelo)
No momento atual, a Gestão do Conhecimento está
se expandindo e sendo aplicada em várias empresas
em todo o mundo.
A cada ano surgem novos softwares para facilitar a utilização
dessa nova forma de gestão voltada para o conhecimento.
Embora não exista uma forma consolidada e padronizada
de Gestão do Conhecimento, ela tomou atualmente
o formato de uma matriz com diversas ramificações
diferenciadas e multidisciplinares.
Podemos identificar seis dessas ramificações
principais:
1- A Inteligência Competitiva, envolvendo uma
formulação estratégica, formação
de parcerias, uma monitoração sistemática
do mercado e dos movimentos dos competidores.
2 - A Capacitação Empresarial Contínua,
envolvendo ensino à distância (E-learning)
e ações que estimulem o aprendizado empresarial,
a formação e preservação
de talentos.
3 - O Controle e a Disseminação das Informações,
de modo a fornecer sempre a informação
certa para a pessoa certa, no momento certo.
4 - O Desenvolvimento e a Pesquisa Tecnológica,
dentro de uma estrategia estruturada de compartilhamento
e estímulo à inovação.
5 - A Gerência de Projetos, de forma organizada,
aberta e compartilhada, através de softwares
colaborativos.
6 - A Identificação dos Principais Centros
de Capital Intelectual da Empresa, estabelecendo uma
conexão colaborativa entre esses centros.
A tendência da Gestão do Conhecimento,
em um futuro próximo, é integrar essas
6 plataformas setoriais em um modelo estratégico
unificado, que reformule os principais dispositivos
de negócio das empresas, dentro da necessidade
de gerar, registrar e preservar o conhecimento, que
passará a ser o principal fator de agregação
de valor ao negócio e o principal diferencial
competitivo, dentro da era do conhecimento.
A primeira e mais freqüente razão dos fracassos
é fazer da KM apenas uma metodologia baseada
em tecnologia de informação, sem se trabalhar
uma cultura de aprendizado e de compartilhamento.
A segunda razão é confundir a KM com E-LEARNING
ou aprendizado a distância ,que é um recurso
tecnológico útil, porém de alcance
limitado.
A terceira razão é fazer da KM uma metodologia
de gestão ou de otimização de processos,
sendo que ela está pouco aparelhada para suprir
essa finalidade.
A KM abrange todos os aspectos citados, mas não
é nenhum deles individualmente e nem o somatório
deles.
A KM não deve ser vista como um fim em si mesma
e sim como um suporte auxiliar e complementar para uma
estratégia de gestão de organizações
complexas em ambientes competitivos, turbulentos e voláteis.
A finalidade não é "fazer gestão
do conhecimento" por si mesma, e sim estabelecer
um equilíbrio dinâmico, adaptativo e pró-ativo
da empresa com o ambiente interno e externo.
Isso só pode ser obtido através de um
sistema de monitoramento e aprendizado permanente das
variáveis que afetam a organização
e da disposição de todos os integrantes
da cadeia produtiva para compartilhar seu conhecimento
e colocá-lo à disposição
de toda a organização.
A KM é a filosofia e o instrumental que permite
este aprendizado e estabelece este monitoramento ativo
e permanente, fornecendo a informação
certa, para a pessoa certa, no momento certo.
Poucas empresas conseguem produzir o grande "insight"
que viabiliza a aplicação da gestão
do conhecimento: "os membros da organização
precisam entender que nada pode ser bom para cada membro
da organização individualmente, se não
for bom para a organização como um todo".
Sem este insight, a aplicação da KM está
fadada ao fracasso porque o conhecimento permanece como
reserva de domínio exclusiva de seus proprietários
e não como um capital intelectual da organização.
Luciano D Rabelo
|