E-Learning: sete passos para acertar na escolha do fornecedor

Descubra quais são os pontos-chave para iniciar bem um projeto de implantação do e-Learning, evitando os problemas mais comumente encontrados no mercado
No artigo anterior, falamos que o desconhecimento da amplitude e das peculiaridades do e-learning são os grandes obstáculos ao seu crescimento. Agora, vamos tentar contribuir para reduzir este problema, mostrando as questões que você deve fazer antes de criar um projeto nesta área.

São apenas sete pontos, todos muito importantes para proteger seu investimento. Alguns são mais voltados para avaliação de sistemas (LMS - "Learning Management Systems"); outros, para conteúdos. Coloquei-os na forma de perguntas justamente para estimular a sua reflexão. Nos comentários seguintes a cada ponto, procuro detalhar mais o objetivo da questão:

1. O fornecedor possui um processo eficiente e bem definido para a customização e desenvolvimento instrucional de conteúdo?
Verifique se ele possui algum tipo de modelo, com fluxograma, etapas, papéis, responsabilidades e cronograma de atividades. Além é claro, de mostrar em que fases o cliente participa. Fornecedor bom é aquele que "pega no pé" do cliente para realizar um excelente trabalho e superar todas as expectativas - afinal, é preciso que se estabeleça um processo colaborativo, de parceria. Ao final do processo o fornecedor avalia todo o trabalho junto ao cliente. Ambos devem estar abertos a ouvir e a produzir sugestões de melhoria.

2. O fornecedor possui profissionais experientes?
Conheça os integrantes da equipe dele, visite a empresa, veja se as pessoas que lá trabalham são capacitadas e comprometidas. Afinal, será para elas que você estará entregando parte do capital intelectual da sua organização. Uma boa equipe instrucional é aquela que possui profissionais com múltiplas competências e, principalmente, onde há muita colaboração. Afinal, não é possível atuar no segmento de gestão do conhecimento se não a praticarmos...

3. Os cursos ou o LMS estão dentro das normas e padrões mundiais?

Os padrões são a garantia de qualidade e de liberdade para o cliente. Liberdade, pois se você investir num LMS que não siga um padrão mundial, certamente terá problemas com a implementação de conteúdos. O inverso também é verdadeiro. Atualmente o mais conhecido é o IMS-SCORM por ser a base da constituição dos padrões para a aprendizagem em linha. SCORM é a sigla para "Shareable Courseware Object Reference Model" e foi desenvolvido pelo grupo ADL (Advanced Distributed Learning), criado pelo governo dos Estados Unidos para supervisionar os padrões do e-learning. IMS é a sigla para "Instructional Management Standards" - Padrões de Administração Instrucional - que é um consórcio de mais de 300 companhias e universidades como Standford, MIT, Universidade de Barcelona, Microsoft, Oracle, IBM, Cisco. Estes padrões não são apenas códigos de programação, indo muito além disto. São também diretrizes com instruções que reúnem as mais avançadas práticas de andragogia (ensino para adultos) e Educação a Distância (EAD) através da multimídia. Acho que já deu para notar o quanto os padrões são importantes, não?

4. O fornecedor possui trabalhos semelhantes aos projetos que você está buscando?
Portifólio não é simplesmente um design bonito. Opte por empresas que possuem trabalhos realizados na sua área. Ou então, analise se ele apresenta soluções criativas e exeqüíveis. Muitas vezes, trabalhar com o mesmo fornecedor por um longo período de tempo pode gerar uma zona de conforto, o que inibe o surgimento de inovações. Isto é particularmente comum em fornecedores que não possuem uma gestão por processos.

5. Como são as habilidades de comunicação deste fornecedor, qual sua filosofia de gerenciamento de projeto?
Isto é muito importante. O fornecedor tem de acreditar no que faz e possuir uma missão. A empresa deve estar focada. Por exemplo, se for uma empresa que desenvolve cursos, sites, impressos gráficos, banners... parece que algo está errado. E-learning requer profissionalismo, especialização e dedicação. Um bom fornecedor procura trabalhar com projetos focados e parceiros que complementem suas atividades no mesmo nível de excelência. Aliás, isto é um ponto muito positivo, pois mostra que ele sabe administrar outras equipes.

6. O fornecedor oferece capacidade de desenvolver protótipos rapidamente?
Agilidade é outro fator muito importante. É ótimo saber que você pode contar com um fornecedor em momentos de inovação como, por exemplo, ter a sua participação no desenho de um determinado projeto em curto prazo. Neste momento, você pode verificar o quanto seu fornecedor é, de fato, um parceiro. Porém, lembre-se de ser justo e transparente com ele, pois este "fazer a mais" pode significar um custo tão alto que, no final, ele estará pagando para fazer o serviço. No caso de um protótipo, mesmo este, é justo que seja remunerado em pelo menos 50% do valor da proposta. Uma boa idéia é propor ao fornecedor um projeto de risco. Desenha-se um projeto piloto e apresenta-se uma proposta de valor. Se aprovado o fornecedor recebe 100% do valor e continua o projeto. Se rejeitado, o projeto é interrompido e o fornecedor recebe de 25 a 50% do valor, dependendo da fase em que o projeto se encontrava.

7. Os custos do projeto justificam seu investimento?
Existe uma falsa idéia de redução de custo em curto prazo. Qualquer que seja o ROI (sigla, em inglês, para "retorno sobre o investimento") estimado, este só pode ser calculado com pelo menos um ano de atividade de EAD. Lembre-se que um ponto chave no cálculo de retorno em propostas que envolvem novas tecnologias é a questão da adoção: se o e-learning for abraçado pela companhia e efetivamente utilizado, seu custo-benefício justificará o investimento, mesmo sabendo que ele não é baixo. Afinal, o desenvolvimento de material didático envolve um alto custo durante a produção e exige a transformação de todo um conteúdo teórico para novas mídias, algo que só pode ser por pessoas especializadas, que trabalham em parceria com outros especialistas, de diversas áreas. Nesta hora, vem aquele medo de gastar pouco por nada ou gastar muito por pouco, e não obter o resultado esperado. Se você escolher a solução a partir de um planejamento estratégico bem elaborado e tiver a colaboração de outros times, como TI, para dar apoio nas questões técnicas, as chances de sucesso serão muito maiores.

Espero que estes pontos sirvam como um check-list para você, orientando-o nas questões fundamentais para o sucesso de um projeto de e-learning. Ainda assim, gostaria muito de saber sua opinião sobre eles ou mesmo ouvir o seu depoimento. Lembre-se: aqui, no Intranet Portal, você pode sempre fazer o seu comentário (utilize o botão logo abaixo), que ficará registrado diretamente após este artigo, gerando um debate muito importante (para comentar, você deve estar logado/cadastrado). Se preferir, envie um e-mail para mim - terei muito prazer em respondê-lo.

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